Artigo: O Fuleco brasileiro e seus contratempos

tatu-bola-copa

Faculdades Metropolitanas Unidas – FMU

CPPG – Centro de Pesquisa e Pós-Graduação

Guilherme Derrico

Título: Fuleco: futebol aliado à ecologia? Ação de marketing mal executada ou simplesmente falta de consideração perante os brasileiros?

Resumo: Este artigo tem por finalidade encontrar os motivos da escolha do nome Fuleco para definir a mascote da Copa de 2014. Mais que isso, visa mostrar como a ação de marketing feita pela Federação Internacional de Futebol (FIFA) causou grande rejeição entre os torcedores brasileiros. O objetivo é mostrar as falhas no processo de escolha do nome, os movimentos criados contrários ao registro com ações nas redes sociais, analisar as questões econômicas que envolveram o processo, e o descontentamento do povo brasileiro. Para isso, a coleta de dados será feita no período de novembro a dezembro desse ano, através de informações retiradas dos programas de televisão ‘Linha de Passe’ e ‘Bate-Bola’, que são exibidos pelo canal ESPN Brasil, ‘Arena Sportv’, transmitido pelo Sportv, além de artigos postados na Internet escritos por profissionais do ramo do jornalismo esportivo. A conclusão dessa pesquisa vai colaborar para uma reflexão sobre a forma de atuação da Fifa, entidade que comanda o futebol mundial, seus erros e acertos, interesses políticos e geração de lucro próprio.

Palavras-chaves: FIFA, Futebol Brasileiro, Copa de 2014, Fuleco, Mascote.

Tema: Este estudo busca o entendimento sobre como foi feita a ação de marketing que escolheu o nome da mascote da Copa de 2014, a ser realizada no Brasil. O quadro causou rejeição entre o público brasileiro e, por isso, pode gerar prejuízo na venda de produtos licenciados.

Problema: Fuleco, nome escolhido pelos integrantes da FIFA para o mascote da Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, não agradou aos torcedores locais. Nas entrevistas que executei utilizando o estilo fala-povo, a desaprovação chegou a 100%. Os profissionais do jornalismo esportivo também não gostaram da ideia. Nos programas esportivos de rádio, televisão, e artigos ou opiniões expressas em blogs e jornais impressos, fica claro a chateação de todos.

Vou analisar o motivo dessa rejeição e levantar hipóteses para o problema, baseado em informações levantadas de novembro a dezembro nos programas ‘Linha de Passe’ e ‘Bate-Bola’, da ESPN Brasil, que inclui na bancada jornalistas como Juca Kfouri, Paulo Vinícius Coelho, Fernando Calazans, Márcio Guedes, entre outros. Outro programa que utilizarei como fonte é o ‘Arena Sportv’, transmitido pelo Sportv. Além disso, vou consultar blogs e artigos postados na Internet com assuntos relacionados ao tema.

Objetivos:

A)    Geral:

Mostrar que a estratégia de marketing utilizada pela FIFA na escolha do nome ‘Fuleco’ não teve apelo positivo junto ao público brasileiro que acompanha o futebol.

B)    Específicos:

1 – A cada quatro anos a Copa do Mundo, maior evento dedicado ao futebol, é realizada em países escolhidos pela FIFA, entidade que organiza todo o processo. Para simbolizar aquele acontecimento, uma mascote é criada, e a escolha do seu nome é sempre polêmica. Em 1966, ano em que a Copa aconteceu na Inglaterra, o título escolhido para a mascote foi ‘Willie’. Juanito, Tip e Tap, Gauchito, Naranjito, entre outros, são outros dos nomes já recebidos pela imagem brincalhona da Copa. Através de dados concretos, este artigo tem como um dos objetivos específicos gerar discussões e reflexões sobre a escolha do nome da mascote da Copa de 2014.

2 – Encontrar possíveis soluções para esse problema também é uma das intenções do autor.

Justificativa:

Desde 1966, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) escolhe uma mascote para simbolizar a realização da Copa do Mundo nos países sede. No ano citado, a Inglaterra foi a anfitriã e a também a campeã do torneio, e a mascote da época se chamou Willie.

Nas edições seguintes, as nomenclaturas das mascotes foram: Juanito – Copa do México – 1970; Tip e Tap – Copa da Alemanha – 1974; Gauchito – Copa da Argentina – 1978; Naranjito – Copa da Espanha – 1982; Pique – Copa do México – 1986; Ciao – Copa da Itália – 1990; Striker – Copa dos EUA – 1994; Footix – Copa da França – 1998; Ato, Nik e Kaz – Copa da Coréia do Sul e do Japão – 2002; Goleo – Copa da Alemanha – 2006 e, finalmente, Zakumi – Copa da África do Sul – 2010.

A FIFA é a organizadora de todo o torneio. Ela escolhe a sede, quantos estádios devem ser construídos para abrigar os jogos, o modelo de estrutura e, a mascote. Na Copa de 2014, que terá sede no Brasil, as opções de nomes para o tatu-bola (bichinho escolhido para simbolizar a mascote brasileira) eram Amijubi, Zuzeco e Fuleco. A última opção foi a vencedora, causando indignação entre os torcedores brasileiros.

O nome Fuleco gerou protestos nas redes sociais. Internautas organizaram um movimento no Facebook para tentar derrubar a escolha. Alguns jornalistas, como Cosme Rímoli, por exemplo, acreditam que tudo não passa de uma jogada financeira da FIFA, visando lucrar com os direitos autorais da mascote.

Hipóteses:

1 – A FIFA faz um estudo dos costumes do país sede da Copa do Mundo e, através das informações obtidas, cria uma mascote, bem como seu nome, que tenha relação com tudo que foi apresentado no relatório.

2 – A entidade organizadora da competição visa obter lucro com a escolha da mascote, por isso, escolhe nomes que ainda não foram registrados por nenhum órgão, para que possa colher frutos com a venda de produtos relacionados à imagem do tatu-bola.

3 – Os três nomes designados para a mascote brasileira, que são Amijubi, Zuzeco e Fuleco, não agradaram o público. E mais: causaram revolta, geraram piadas e movimentos contraditórios nas redes sociais.

4 – Um estudo de marketing mais detalhado traria nomes bem mais sugestivos, que tenham a ver com a cultura do Brasil.

5 – Além de ser a detentora dos direitos da Copa do Mundo, a FIFA perdeu uma grande chance de conquistar a simpatia do público brasileiro devido à escolha do nome Fuleco.

Metodologia: Utilizarei o método Histórico-crítico, para coletar de dados históricos e também recentes que comprovem a inquietação do torcedor brasileiro junto ao nome escolhido para a mascote da Copa de 2014. Para isso, contarei breves relatos das mascotes escolhidas desde 1966, ano em que a primeira mascote foi criada. Já através do método Analítico, poderei fazer uma comparação sobre a aceitação dos torcedores de outros países e os daqui do Brasil: o que pensavam na época em que o nome das mascotes de seus países foram reveladas.

As técnicas utilizadas para esses desdobramentos serão o Estudo de caso, Discussão em Grupo, Entrevistas, entre outros.

Quadro Teórico de Referência: Desde 1930, de quatro em quatro anos, a Copa do Mundo da Federação Internacional de Futebol (FIFA), torneio mais importante relacionado ao futebol, ocorre num país escolhido pela entidade citada. Anos antes do evento, os países jogam entre si num sistema de eliminatórias de cada continente. Os mais bem colocados são classificados para a disputa da Copa.

Apenas nos anos de 1942 e 1946 não houve a realização do torneio, pois a 2ª Guerra Mundial estava em andamento. O Brasil é o maior vencedor até o momento com cinco títulos conquistados, nos anos de 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Também a é única seleção que participou de todas as edições da Copa do Mundo.

Desde 1966, quando o evento aconteceu na Inglaterra, a FIFA passou a escolher uma mascote para simbolizar a celebração futebolística. Os nomes designados para as imagens foram sempre polêmicos, tais como Willie, Juanito, Tip e Tap, Gauchito, Naranjito, Pique, Ciao, Striker, Footix, Ato, Nik e Kaz, Goleo, Zakumi e, finalmente, o tatu-bola Fuleco, o escolhido para ser a mascote brasileira em 2014.

A FIFA destacou três nomes: Amijubi, Zuzeco e Fuleco. Desses, o último citado foi o vencedor e vai ser a logomarca brasileira da Copa. Logo que a decisão foi anunciada, o público brasileiro se rebelou. Os profissionais do jornalismo esportivo do País não ficaram atrás e também se manifestaram. “O pobre tatu-bola batizado de Fuleco deve render 10 milhões de dólares. Para a FIFA. O simpático tatu-bola foi castigado”, (RÍMOLI, 2012[1]).

Segundo a FIFA, o nome faz referência à preocupação da torcida brasileira com o meio ambiente. A entidade informou que foi feita uma pesquisa e ficou constatado que mais de 90% dos brasileiros querem uma Copa ecologicamente correta. Ainda de acordo com a organizadora do evento, a junção das duas palavras (Ful + Eco) faz menção ao futebol e ecologia.

Em entrevista de campo realizada no dia 7 de dezembro desse ano, com cerca de 20 pessoas, 100% dos entrevistados foram contra a escolha do nome. Também foi enviada no dia 8 do mesmo mês uma pesquisa por e-mail para 10 pessoas, e o resultado foi o mesmo: 100% de desaprovação.

 O jornalista e escritor Humberto Werneck afirma que a escolha do nome da mascote não condiz com a criatividade do povo brasileiro. “A escolha do nome Fuleco para designar o mascote da Copa do Mundo, convenhamos, não honra a inventividade de um povo capaz de criações bem mais imaginosas”, (WERNECK, 2012[2]).

Para entender um pouco sobre estratégias de marketing, vamos entrar um pouco no mundo do marketing esportivo e mostrar como questões básicas desse ramo poderiam ajudar na escolha de um nome com boa aceitação. Scott Talgo, estrategista de marcas, diz que a meta de uma marca é conquistar o público que se deseja alcançar. “Uma marca que conquista sua mente consegue um comportamento. Uma marca que conquista seu coração consegue um compromisso”, (TALGO, 2012[3]).

Talvez se a FIFA quisesse conquistar o coração dos torcedores brasileiros, pudesse ter feito uma consulta a algum profissional da área de marketing esportivo, ou então a algum artigo que pode ser facilmente encontrado na Internet, como esse citado acima.

A especialista em marketing esportivo, Carla Dualib, afirma que as atividades desse ramo é um ponto bastante fácil de entender.

O marketing esportivo nada mais é do um derivado do marketing aplicado ao segmento de esportes e, assim sendo, engloba uma séria de elementos que compõe o tradicional mix de marketing: produto, preço, promoção e ponto-de-venda. Assim como na elaboração de um plano de marketing convencional, os profissionais desse setor devem estar atentos às variáveis de mercado, buscando sempre a oportunidade mais adequada aos objetivos almejados, já que cada modalidade esportiva oferece diferentes ferramentas a serem trabalhadas (DUALIB, 2012[4]).

Concluímos que a FIFA fez seu plano de marketing usando a teoria de que unir futebol e ecologia iria causar uma boa impressão no torcedor brasileiro, mas o que aconteceu foi o inverso. As pessoas não gostaram do nome Fuleco, e os jornalistas esportivos muito menos. Uma ação de marketing não tão complexa resolveria o problema, entretanto, a possibilidade de lucrar com os direitos da mascote foi a sugestão escolhida pelos organizadores do evento.

Referências Bibliográficas:

DUALIB, Carla; STOTLAR, David K.. Como Desenvolver Planos de Marketing Esportivo de Sucesso. São Paulo: Editora Matrix. 2005.

PITTS, Brenda; STOTLAR, David K.. Fundamentos do Marketing Esportivo. São Paulo: Editora Phorte. 2002.

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência: a colisão entre os velhos e os novos meios de comunicação. São Paulo: Aleph. 2009.

GURGEL, Anderson. Futebol S/A: A Economia em Campo. São Paulo: Editora Saraiva. 2006.

DACOSTA, Lamartine; CORRÊA, Dirce; RIZZUTI, Elaine; VILLANO, Bernardo; MIRAGAYA, Ana. Legado dos Megaeventos Esportivos. Brasília: Ministério do Esporte. 2008.

1 – RÍMOLI, Cosme. O pobre tatu-bola batizado de Fuleco deve render 10 milhões de dólares. Para a Fifa. Uma parte fuleira dos R$ 4 bilhões que pretende arrecadar com a Copa. Ao Brasil sobrará a conta de R$ 80 bilhões… Disponível em http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/o-pobre-tatu-bola-batizado-de-fuleco-deve-render-10-milhoes-de-dolares-para-a-fifa-uma-parte-fuleira-dos-r-4-bilhoes-que-pretende-arrecadar-com-a-copa-ao-brasil-sobrara-a-conta-de-r-80-bilhoes-27112012/, acessado em 06/12/12.

2 – WERNECK, Humberto. Fuleco fuleiro. Disponível em http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fuleco-fuleiro-,968054,0.htm, acessado em 06/12/12.

3 – DUALIB, Carla; STOTLAR, David K.. Como Desenvolver Planos de Marketing Esportivo de Sucesso. São Paulo: Editora Matrix. 2005. Pág. 187.

4 – DUALIB, Carla; STOTLAR, David K.. Como Desenvolver Planos de Marketing Esportivo de Sucesso. São Paulo: Editora Matrix. 2005. Pág. 187.

Cronograma de Atividades: Com a coleta de dados terminando em dezembro, a pretensão é concluir o artigo científico até o dia 17 desse mês:

Novembro:

1 – Escolher o tema e escrever as primeiras ideias sobre a proposta

2 – Escolher a bibliografia e revisá-la

Dezembro:

1 – Coleta de dados: entrevistar, discutir, buscar conteúdo para a pesquisa

2 – Redigir o texto oficial e utilizar as normas da ABNT

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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