Entupimento das artérias mata 24% da população brasileira ao ano

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Principal causa de morte no mundo ocidental, a arteriosclerose é responsável por 24% das mortes da população brasileira. São aproximadamente 300 mil óbitos ao ano causados por doenças cardiovasculares associadas a essa inflamação crônica na parede arterial. A doença é caracterizada pelo depósito de gordura, cálcio e outros elementos na parede das artérias, o que provoca o entupimento arterial, obstruindo a passagem do sangue para todos os tecidos nutridos pela artéria doente.

“Com essa obstrução, o órgão deixa de receber sangue e, dependendo do grau, acaba morrendo uma parte ou ele todo, ou seja, ocorre o infarto. Se a morte do órgão ou tecido for cerebral, chamamos infarto cerebral; se for do coração chamamos infarto do miocárdio; e se for das pernas de isquemia”, explica o angiologista Dr. Ary Elwing (CRM-22.946), especialista em cirurgia vascular periférica e tratamento a laser.

Seu desenvolvimento é lento e progressivo, e é necessário haver uma obstrução arterial significativa, de cerca de 75% do calibre de uma artéria, para que surjam os primeiros sintomas isquêmicos (sintomas derivados da falta de sangue). Como a arteriosclerose é uma doença sistêmica, acometendo simultaneamente diversas artérias do ser humano, o quadro clínico apresentado pelo paciente vai depender de qual artéria está mais significativamente obstruída:

– Caso sejam as coronárias (artérias do coração), produzirá a dor cardíaca durante o esforço (angina de peito) na evolução crônica ou o enfarte na evolução aguda.

– Caso sejam as carótidas (artérias do pescoço) serão produzidas perturbações visuais, paralisias transitórias e desmaios na evolução crônica ou o derrame (acidente vascular encefálico) na evolução aguda.

– Caso sejam as artérias ilíacas e femorais (artérias de membros inferiores) serão produzidas claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar), queda de pelos, atrofias da pele, unhas e musculares, e até mesmo impotência coeundi (dificuldade de ereção peniana) nos casos crônicos e gangrena nos casos mais graves.

Melhor que tratar é evitar a doença

Vida sedentária, excesso de ingestão de gordura, doces em excesso, diabetes, colesterol alto, intoxicações que alteram a estrutura da parede das artérias, idade avançada e hipertensão são algumas das causas da doença. E a melhor prevenção é o hábito alimentar, que tem uma participação muito importante no desenvolvimento das artérias.

Por isso, segundo o angiologista, os pais devem ficar atentos à alimentação das crianças. Criar maus hábitos desde cedo aumenta os riscos de uma arteriosclerose no futuro. “O início de formação dessas placas de gordura ocorre na infância e vai progredindo durante a vida adulta. Qualquer pessoa pode desenvolver essa doença, porém, os mais atingidos são pessoas com pré-disposição genética, pressão alta, diabetes ou obesidade”, diz Elwing.

O endurecimento das artérias não causa sintomas, até o momento em que o fluxo de sangue de alguma parte do corpo ficar lento ou bloqueado. Algumas pessoas só descobrem que tem arteriosclerose após um infarto ou derrame. “Se as artérias que levam ao coração se estreitarem, o fluxo de sangue para o coração pode ser reduzido ou interrompido. Isso pode causar dor no peito (angina), deficiência respiratória e outros sintomas. Tudo irá depender de quais artérias foram bloqueadas e qual o grau de obstrução”, orienta o médico.

Essa doença é mais frequente nos homens e idosos, entre 50 a 70 anos. As mulheres são menos atingidas devido a sua composição hormonal. Pessoas que têm altos níveis de gorduras circulantes no sangue (sendo o colesterol a principal delas), e os fumantes, também têm um risco nove vezes maior de desenvolver a arteriosclerose.

Doença é evolutiva e não tem cura

O diagnóstico da arteriosclerose é dado pela história clínica do paciente, pelo exame físico com a palpação dos pulsos arteriais e por exames laboratoriais, eletrocardiograma, ultrassonografia, exame Doppler e arteriografia. Para cada fase evolutiva da arteriosclerose e para cada órgão acometido pela doença há uma forma diferente de terapia, mas todas passam por um tratamento básico de controle da hiperlipidemia, do tabagismo, da hipertensão, do diabetes e da obesidade.

“O angiologista ou cirurgião vascular é quem faz a avaliação. O médico conversa com o paciente para levantar informações sobre os sintomas, hábitos alimentares, medicamentos e logo depois inicia o tratamento”, diz o especialista.

O tratamento é à base de medicamentos, exercícios e, se for o caso, intervenção cirúrgica. Esse processo pode ser feito por meio de cirurgia normal ou endovascular minimamente invasiva, geralmente com rápido retorno ao cotidiano. Se o paciente tiver arteriosclerose severa, o médico pode recomendar um tratamento cirúrgico mais complexo, tais como:

Angioplastia: Esse procedimento consiste em abrir as artérias coronárias bloqueadas ou estreitadas. Pode melhorar o fluxo sanguíneo ao coração e aos órgãos afetados, aliviar a dor no peito e na região dos órgãos afetados, e possivelmente prevenir um ataque cardíaco e até uma amputação.

Cirurgia de Bypass: Essa cirurgia permite a construção de um conduto alternativo à artéria original, criando um desvio, ou ponte (bypass), tolerando que o sangue circule em torno da área bloqueada, o que evita a lesão que causa o deficiente fluxo arterial.

Cirurgia Endovascular: Cirurgia minimamente invasiva com colocação de stent (molas) no interior das artérias ou endopróteses, que fazem as vezes das artérias corrigindo suas obstruções e aneurismas.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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5 respostas para Entupimento das artérias mata 24% da população brasileira ao ano

  1. Super interessante as informações, Agora vou fazer exercícios físicos diariamente e rever meus hábitos alimentares.

  2. Pingback: Entupimento das artérias mata 24% da população brasileira ao ano | Entupimento das Artérias

  3. Pingback: Indústria escondeu relação do açúcar com doença cardíaca - Deviante

  4. GOMERCINDO F XAVIER disse:

    PARABÉNS ÓTIMO TRABALHO E ESPLICAÇÃO

  5. Watilla disse:

    Boa tarde. Muito interessante o artigo e começa dizendo​ que é a principal causa de morte no mundo ocidental. Quais os fatores que mudam para o mundo oriental, ou seja, porque lá não é a doença que mais mata?

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