Câncer de estômago: 65% dos pacientes diagnosticados têm mais de 50 anos

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Os sintomas são os mais variados, vão desde dores abdominais, queimação no estômago, enjoos, vômitos, até a presença de um tumor palpável. O câncer de estômago está em quinto lugar no ranking de incidência de câncer nos brasileiros e é o segundo em mortalidade. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer, foram 20.090 novos casos em 2012, sendo 12.670 homens e 7.420 mulheres. Isso é resultado do diagnóstico tardio em grande parte dos pacientes, que subestima o aparecimento dos sinais e não procura um médico.

O pico de incidência se dá em sua maioria em homens, sendo que cerca de 65% dos pacientes diagnosticados têm mais de 50 anos. O endoscopista Sérgio Barrichello (CRM-111.301) explica que a causa mais provável para o aparecimento desse tipo de câncer é a infecção por uma bactéria chamada Helicobacter-pylori, conhecida como H. pylori e encontrada em água de consumo de má qualidade e alimentos contaminados.

“Para prevenir o câncer de estômago é fundamental seguir uma dieta balanceada, composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras, desde a infância. Além disso, é importante o combate ao tabagismo e a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas”, alerta Barrichello.

Também denominado câncer gástrico, os tumores do estômago se apresentam, predominantemente, na forma de três tipos: adenocarcinoma, responsável por 95% dos tumores, linfoma, diagnosticado em cerca de 3% dos casos, e leiomiossarcoma, iniciado em tecidos que dão origem aos músculos e aos ossos. Na maioria dos casos, o diagnóstico é feito em fases avançadas, já que os sintomas inicialmente são leves, insuficientes para que o paciente procure atendimento médico.

“A perda de peso e a dor abdominal leve são as principais queixas no inicio da doença, e confundem-se facilmente com sintomas de gastrite ou úlcera. A sensação de saciedade precoce, náuseas e vômitos também podem ser indícios de que algo está errado e um especialista deve ser consultado”, diz o médico.

O diagnóstico é muito rápido, por meio de uma endoscopia digestiva. Ela permite a avaliação visual da lesão, a realização de biópsias e a avaliação citológica. Nesse exame, um tubo flexível de fibra ótica ou uma microcâmera é introduzido pela boca e conduzido até o estômago. É realizado sob sedação e com anestesia da garganta, para diminuir o desconforto.

“O problema é que mesmo a doença sendo de fácil diagnóstico, os pacientes muitas vezes percebem os sintomas, mas não procuram tratamento. Muitos deles associam os sintomas desse tipo de câncer aos causados por má alimentação ou por outro problema gástrico”, conta o endoscopista.

Apesar de não haver sintomas específicos do câncer de estômago, é bom ficar de olho em alguns sinais como:

– Perda de peso e de apetite, fadiga, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem mesmo indicar um tumor de estômago, mas também pode ser uma doença benigna, como úlcera, gastrite, etc;

– Massa palpável na parte superior do abdômen, aumento do tamanho do fígado e presença de íngua na área inferior esquerda do pescoço e nódulos ao redor do umbigo indicam estágio avançado da doença;

– Sangramentos gástricos são incomuns em lesões malignas, entretanto, o vômito com sangue ocorre em cerca de 10 a 15% dos casos de câncer de estômago. Pode surgir sangue nas fezes, fezes escurecidas, pastosas e com odor muito forte (indicativo de sangue digerido);

– Quando o exame físico está sendo realizado, o paciente com câncer pode sentir dor no momento em que o estômago é palpado.

Aparelho permite retirada do tumor pela boca

A principal alternativa terapêutica e única chance de cura do câncer de estômago é o tratamento cirúrgico, retirando parte ou todo o estômago, além dos nódulos linfáticos próximos. A cirurgia endoscópica utiliza manobras e técnicas específicas no uso do aparelho de endoscopia. Com a retirada do tumor pela boca, eliminam-se os riscos e complicações inerentes a qualquer cirurgia de grande porte e o paciente também tem uma melhor recuperação. “Nos casos em que o paciente é submetido a uma cirurgia comum, a recuperação é tardia, demora de sete a 10 dias”, observa Barrichelo.

Após a cirurgia, o percentual de cura depende do estágio de desenvolvimento da doença. Quando se tem um diagnóstico precoce, as chances chegam a 100% dos casos. Já quando o câncer de estômago é descoberto em um estágio avançado, o percentual de cura é em torno de 30%. “O diagnóstico tardio é muito letal em se tratando de câncer gástrico”, finaliza.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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