Estresse e a atividade cerebral

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Quando falamos em estresse, estamos relacionando um conjunto de ajustes físicos e mentais necessários para otimizarmos nossa performance corporal e cerebral em momentos mais complicados da vida. Parece algo bom, certo? Certo. O problema não é o estresse em si, mas a frequência e a intensidade em que acionamos esse sistema alternativo de funcionamento. Quando ficamos estressados, geramos uma cascata de alterações metabólicas onde priorizamos a resolução de determinado problema, e como efeito adverso abdicamos de uma série de questões não prioritárias naquele momento.

O neurologista Leandro Teles (CRM 124.984), explica algumas alterações geradas nessa situação. “O estresse agudo leva a um aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, com isso, o sangue circula mais rápido e os músculos conseguem desenvolver uma performance melhor. As pupilas se dilatam, vemos o todo, com baixa percepção de detalhes e nitidez. O cérebro fica à flor da pele, reduz o limiar de decisão, e o foco no problema distorce a percepção do que não está em jogo naquele momento. Ficamos menos sensíveis às mudanças ambientais e mesmo a sinais do nosso corpo (sentimos menos dor, vontade de ir ao banheiro, etc.). Existe uma tempestade de dopamina, adrenalina e cortisol no sangue. É um sistema que nasceu para ser acionado apenas de vez em quando”, diz Teles.

Fica fácil de perceber que o estresse não é um evento sustentável. Na sua forma reacional, intermitente e infreqüente, ele é saudável. Mais que isso, ele é o colorido da vida, o tempero que permite engolimos nossa insossa existência. Um toque de vermelho no fundo sem graça da rotina e do tédio em que nos enfiamos às vezes. Agora, na sua forma crônica, intensa ou muito frequente, ele vira um veneno. “O estresse arrastado e desmedido lesa o corpo e mina as relações interpessoais. Derruba a imunidade, piora completamente o perfil cardiovascular (agravando o diabetes, a hipertensão, o colesterol alto), descontrola o peso (para mais ou para menos), altera nossa função gastrointestinal, atrapalha o sono, o humor e a performance sexual”, explica o especialista.

Do ponto de vista neurológico, viver mergulhado no estresse significa perder os detalhes, dar respostas aceleradas e imperfeitas às perguntas que a vida nos impõe. Estressados percebemos menos o outro, não enxergamos alternativas sutis, somos inábeis e nada criativos. Ficamos mais irritados e impacientes. Viver estressado é derrubar o saleiro na salada, cobrir de vermelho uma paisagem que deveria ser rica em detalhes e sutileza. “O cérebro estressado não dá conta de um rendimento refinado, diferenciado e em alto padrão. O raciocínio fica mais reflexo, ocorre erros de julgamento e a tomada de decisão fica comprometida, uma vez que prioriza-se os resultados a curto prazo, uma espécie de controle de danos”, alerta.

Como vimos, quem define o risco do estresse é a dose, o tempo e o contexto. Por isso vale muito a pena observar o seu dia a dia e investir bastante em  atividade física, momentos de lazer, medidas de relaxamento, repouso, etc. Você colherá os frutos tanto na saúde física como no rendimento cerebral a curto, médio e longo prazo.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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