Desvio na coluna pode ser escoliose

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Ao olhar no espelho você tem o costume de reparar no seu corpo? Esse simples hábito pode ajudar a diagnosticar uma doença silenciosa chamada escoliose, um desvio lateral da coluna, formando uma sinuosidade, geralmente em forma de “S”. É possível perceber a presença de escoliose ao olhar a pessoa de frente, pois ela tende a apresentar os ombros desalinhados — na postura correta, eles devem ser simétricos. Em casos mais graves, o problema pode até fazer com que a pessoa manque levemente. Outra forma de notar o desvio é fazendo com que a pessoa, em pé, abaixe até alcançar o tornozelo, o que evidencia a linha da coluna e seus desvios.

Segundo o neurocirurgião Mauricio Mandel (CRM-116095), a escoliose pode ter origem neurológica, muscular ou congênita. “Na maioria dos casos de escoliose não é possível determinar as causas e então se recebe o nome de escoliose idiopática. Já a escoliose congênita que é de nascença acontece devido a um problema na formação dos ossos da coluna vertebral ou na fusão de costelas durante o desenvolvimento do feto. Enquanto a neuromuscular é causada por problemas associados à fraqueza muscular, paralisia decorrente de doenças como paralisia cerebral ou distrofia muscular”, explica Mandel.

A escoliose não apresenta sintomas e nem dor, o que prejudica ainda mais o diagnóstico desse desvio na coluna. “A escoliose idiopática em adolescentes é o tipo mais comum devido à fase do estirão, no início da puberdade, quando há um crescimento rápido, e afeta mais as meninas do que os meninos”, afirma o especialista.

Pais, atenção aos sinais!

Desde a infância os pais conseguem perceber sinais de que a criança possa vir a apresentar problemas de escoliose no futuro. “Ombros com alturas diferentes, cabeça não alinhada diretamente acima da pelve, proeminência da caixa torácica ao dobrar o corpo, cintura desigual ou um quadril levantado em relação ao outro são alguns sinais que indicam a doença”. Além disso, a escoliose avançada pode causar dores na coluna, rigidez, dor depois de um período prolongado sentado ou em pé, dificuldades para respirar e até fadiga.

Problema pode ser mais grave do que se pensa

Quanto maior for a curva inicial da coluna vertebral, maior será a chance de que a escoliose se agrave após a conclusão da fase de crescimento e causar problemas respiratórios. Não há necessidade de fazer uma cirurgia nos portadores de escoliose primária com deformidade abaixo de 20 graus, recomenda-se exercícios, a prática de natação e o acompanhamento com um especialista. Adolescentes em crescimento com curvas entre 20 a 45 graus devem utilizar coletes que mantêm a coluna vertebral correta.

“Os coletes utilizados são o de Boston, que vão da cintura até as axilas, ou de Milwalkee, que vão da cintura até o queixo. O colete é utilizado até o fim do crescimento ósseo, que ocorre entre 16 a 18 anos nos meninos e cerca de três anos após a primeira menstruação nas meninas”, revela o médico.

Curvas maiores do que 40º é necessário recorrer à cirurgia. “A cirurgia visa corrigir a curva e encaixar os ossos dentro dela. Eles são fixados no lugar correto com uma ou duas hastes de metal presas com ganchos até que o osso seja recuperado. A incisão é feita por meio de um corte nas costas, no abdômen ou abaixo das costelas”, conta o neurocirurgião. Após a cirurgia o paciente tende a ter uma boa recuperação e levar uma vida saudável.

Se você notou alguma deformidade na coluna, não hesite em procurar um médico para fazer um diagnóstico. Lembre-se que quanto mais cedo a doença for descoberta, maiores são as chances de correção e menos sofrimento.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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