Casos de fraturas vertebrais aumentam devido ao envelhecimento da população

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O Brasil tem hoje quase 20 milhões de idosos. Em três décadas, 55 milhões de brasileiros terão mais de 60 anos. Com o aumento da expectativa de vida, o número de fraturas entre os idosos vem crescendo proporcionalmente ao envelhecimento da população. As mais comuns são as fraturas vertebrais osteoporóticas. Elas podem ser assintomáticas, mas, muitas vezes, causam dor e deformidade, piorando a qualidade de vida dos idosos e o aumento da mortalidade nessa faixa etária.

As estatísticas demonstram que 40% das mulheres e 15% dos homens de meia idade irão apresentar uma ou mais fraturas osteoporóticas durante suas vidas. O médico neurocirurgião Paulo Porto de Melo (CRM 94.048) explica que a osteoporose gera o enfraquecimento dos ossos e, por suportar grande parte do peso do corpo, sofrem a fratura e o colapso. A dor pela fratura por osteoporose está relacionada com a instabilidade da vértebra quebrada, ou seja, qualquer movimento que seja feito pelo corpo vertebral doente irá gerar dor.

“As fraturas são uma complicação grave em idosos. Isso porque, com a idade avançada, há uma menor deposição de cálcio nos ossos, deixando-os mais frágeis e quebradiços. Qualquer queda aparentemente boba pode causar uma fratura óssea importante e trazer outras complicações”, afirma o especialista.

A maioria das fraturas pela osteoporose ocorre na mulher idosa, sendo que a incidência aumenta, progressivamente, com a idade. A coluna vertebral é frequentemente a mais atingida, seguida pelo fêmur proximal e punho. Por vezes, pequenas quedas são suficientes para o aparecimento destas fraturas que passam despercebidas e são diagnosticadas ao acaso.

Melo explica que o principal sintoma é a dor, mas dependendo da gravidade da fratura podem ocorrer déficits neurológicos, como perda de força ou de sensibilidade nos membros inferiores ou superiores, de acordo com o nível da coluna afetado. “O paciente idoso com osteoporose, após um trauma leve, como a queda da própria altura, ou mesmo durante atividades simples, como se abaixar para amarrar os sapatos, pode sentir uma forte dor nas costas, que normalmente até atrapalha a pessoa em atividades do cotidiano, como dormir”, esclarece.

Dor intensa e deformidade grave indicam tratamento cirúrgico

O diagnóstico da fratura vertebral é feito com o exame de radiografia simples da coluna, mas outros exames complementares como a Tomografia Computadorizada e a Ressonância Magnética da coluna, podem ser feitos para uma análise mais detalhada da fratura. O médico diz, no entanto, que um diagnóstico diferencial que deve ser considerado nas fraturas patológicas da coluna vertebral são os tumores. “Uma fratura aparentemente osteoporótica pode se confundir com a fratura vertebral causada pelo enfraquecimento que o tumor provoca na vértebra”, alerta.

O tratamento clínico pode ser tentado em alguns casos, mas os pacientes que apresentam dor intratável, postura cifótica progressiva ou déficits neurológicos (fraqueza nas pernas ou paraparesia, distúrbios neurovegetativos), requerem tratamento cirúrgico. “Hoje em dia, o tratamento cirúrgico para esses casos é feito de forma minimamente invasiva, ou seja, com apenas uma agulha ou cânula, mas casos extremos necessitam de intervenção cirúrgica convencional para promover maior estabilidade da coluna”, diz o médico.

Os procedimentos minimamente invasivos disponíveis são a vertebroplastia e a cifoplastia, que tem a vantagem de promover a remodelação e ganho de altura do corpo vertebral. Estão indicadas nos casos em que existe dor significativa e pacientes que apresentam grande dificuldade de movimentação. A cirurgia traz uma melhora quase imediata e pode reverter facilmente esse quadro. A cifoplastia faz uso de um sistema mais complexo, que permite uma injeção mais segura e planejada para corrigir a fratura.

“Mas o recomendado é sempre prevenir, ou seja, é necessária a prática constante de exercícios físicos aeróbicos, como caminhada, e anaeróbicos, como musculação, além do hábito de tomar sol nos horários adequados. Nos casos em que apenas essas medidas não são suficientes, pode ser necessário o uso de medicamentos e suplementação vitamínica”, recomenda Melo.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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