Acostumar-se a dor de cabeça é um dos principais erros de quem tem o sintoma

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Quem não sofre de vez em quando com uma dorzinha chata de cabeça? Para mais de 80% das mulheres e pelo menos 60% dos homens esse martírio ocorre ao menos uma vez por mês. Será que damos a devida atenção ao problema? A verdade é que muitas das vezes quem sofre com o problema acaba tendo comportamentos que facilitam a manutenção das dores.

Segundo o médico neurocirurgião Paulo Porto de Melo (CRM 94.048), é fácil reconhecer uma série de erros na condução e abordagem da dor em pessoas com dores de cabeça frequentes. “Ajustes no dia a dia podem, se não trazer a cura, aliviar bastante a frequência e a intensidade do problema”, explica Melo.

O erro número um é fazer uso de remédios sem prescrição e orientação de um médico. A automedicação, fazendo uso indiscriminado de uma série de analgésicos comuns, leva a franca descompensação da frequência das crises. “Cada caso é um caso. Existem inúmeras opções de medicamentos para cortar a dor e também para preveni-las, porém, para cada organismo haverá um planejamento personalizado”, diz o médico.

Por outro lado, demorar muito para tomar o remédio receitado pelo especialista também é muito comum. As pessoas esperam a dor ficar muito forte para só então tomar a medicação prescrita para alívio do sintoma. Melo afirma que isso, na maioria das vezes, só dificulta a ação da medicação. “Crises no começo respondem muito melhor à medicação, por isso não espere a dor ficar insuportável”, recomenda.

Outro erro comum é usar doses inadequadas de analgésicos. Algumas vezes as dores que parecem mais resistentes aos medicamentos até são combatidas com doses inadequadas, mas isso traz alívio mínimo e estimula o retorno da dor e o abuso de medicamentos, pois a melhora não se sustenta. “Siga sempre as doses propostas pelo seu médico de confiança”, alerta o neurocirurgião.

Entenda a sua dor

Pessoas com dores de cabeça frequentes também precisam mapear a sua dor. A ferramenta ideal para isso é o Diário de Dor. O paciente e o médico precisam conhecer intensamente a dinâmica da dor, em que parte do dia ocorre, em que época do mês, a duração do sintoma, a resposta às medidas propostas, a relação com o sono, o stress, as férias, as estações do ano, etc.

“Quanto mais informações, melhor para corrigir o que desencadeia a dor e enfatizar aquilo que reduz a expressão”, diz Paulo. Sem essas informações, acaba sendo comum o atraso de diagnóstico ocorrer porque as pessoas atribuem a dor a causas equivocadas. Achar que a dor é causada por miopia, hipertensão e sinusite crônica são os erros mais comuns.

Algumas vezes os pacientes também deixam passar alguns sinais clínicos que sugerem que a dor de cabeça é de causa mais grave e urgente e exige atendimento médico mais rápido. É bom ficar atento a sinais como, por exemplo, dores que aparecem subitamente, já com intensidade alta; dores relacionadas a exercícios físicos ou atividade sexual; febre associada a dor; sintomas neurológicos como fraqueza, formigamentos, turvação visual, visão dupla, etc.

“O paciente com dor de cabeça crônica precisa estar atento, se cuidar e estar disposto a alterar alguns hábitos, como iniciar atividade física aeróbica regular, dieta balanceada e fracionada, rotina de sono adequada e redução de stress do dia a dia”, diz.

No entanto, segundo Paulo, o pior erro de todos é se acostumar a dor. “As pessoas acabam jogando a toalha e desistindo de tratar adequadamente a doença. Vivem sem qualidade de vida, perdem rendimento no trabalho, escola e tem prejuízos na vida social. Passa a ficar mal humorada e pode até evoluir para depressão. Vive a base de analgésicos e pode acordar todo o dia com dor”, alerta o especialista.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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