Tristeza e depressão: uma condição física ou comportamental?

depressao

Todo mundo durante a vida vai apresentar momentos de maior dificuldade, quando será tomado por sentimento de tristeza, melancolia, angústia, sensação que nada dará certo ou que não terá forças para superar os obstáculos. Agora, o que será que diferencia uma tristeza natural da depressão patológica? Qual será o substrato cerebral da depressão e como combatê-la?

A tristeza é um momento emocional, um sintoma reativo a um desencadeante geralmente óbvio, ela é transitória, direcionada e proporcional ao evento que lhe deu origem (tanto em intensidade, como em duração). Esse sentimento traz uma sensação ruim, negativa, mas é um processo biológico fundamental para o amadurecimento cerebral.

Momentos tristes ensinam mais que os felizes, levam à introspecção, autoconhecimento, estados criativos e acabam fortalecendo a busca e a vivência da felicidade. Sem tristeza e resignação não existe grande parte do aprendizado, todo sofrimento tem um caráter pedagógico. A tristeza transitória é uma ponte necessária para a superação. Os principais desencadeantes desse sentimento são: a perda, a frustração, o arrependimento, a expectativa não consolidada, a rejeição, a decepção, etc.

Já a depressão é uma doença, complexa e potencialmente grave. Acomete até 20% da população em alguma fase da vida, sendo três vezes mais comum em mulheres. Ela é causada por fatores genéticos, hormonais e ambientais. Além de tristeza, a pessoa deprimida pode apresentar uma gama extensa de sintomas, tais como: emagrecimento, ganho de peso, insônia, baixa autoestima, falta de motivação, alterações sexuais, restrição social, dores no corpo, apatia, fadiga, entre outros. Em casos graves podem ocorrer sintomas psicóticos e desapego à vida, com risco de suicídio.

Por mais que haja um contexto de vida desfavorável, a depressão mostra ser desproporcional ao fator desencadeante, seja em intensidade, seja em duração. Os episódios são arrastados e a falta de reconhecimento e de tratamento pode ser muito prejudicial ao paciente. Por definição, os sintomas devem ser intensos e persistir por mais de duas semanas. Existem vários subtipos de depressão, a depender da intensidade, do contexto e dos sintomas mais relevantes. Para diagnosticá-la é fundamental que haja comprometimento da qualidade de vida.

O que ocorre no cérebro na depressão

A depressão é uma doença cerebral, estrutural e orgânica. Não é fraqueza, vontade de chamar atenção e nem frescura. É provocada por um desequilíbrio claro nas moléculas que conectam os neurônios, chamadas de neurotransmissores. Os principais transmissores que estão alterados (reduzidos) são: serotonina, adrenalina e, em menos escala, a dopamina. Com isso, ocorre maior dificuldade em sentir prazer e todos os sintomas físicos e psíquicos citados anteriormente.

O paciente fica lentificado, queixoso e fragilizado. Por vezes, fica muito difícil reconhecer o estado depressivo (uma vez que a crítica também fica abalada) e é bastante complicado se livrar sozinho dos sintomas, apenas com força de vontade. Por isso é altamente recomendado buscar ajuda, com familiares, amigos e profissionais habilitados.

Muitos estudos apontam para alterações em algumas regiões específicas do cérebro, tais como: giro do cíngulo (lobo frontal), amígdala e hipocampo (lobo temporal) e regiões antigas do cérebro, tais como: tálamo e hipotálamo. Essas regiões repercutem na saúde física, por gerenciarem também a secreção de hormônios e substâncias que comandam o sistema imunológico e cardiovascular. Com isso ocorre elevação de cortisol e a imunidade cai (aumentando o risco de câncer e infecções), além disso, ocorre elevação do risco de hipertensão, obesidade, problemas de colesterol, diabetes, e muitos outros problemas.

Como combater a doença

O primeiro passo é reconhecer o problema e buscar ajustes no ritmo de vida e no comportamento. Seguem sete dicas preciosas:

1- Cerque-se de pessoas confiáveis: Sozinho, o indivíduo vira presa fácil da depressão. Nessa fase, é fundamental o apoio familiar, dos amigos verdadeiros e de profissionais de confiança. Ande principalmente com pessoas positivas, que compreendam seu estado emocional e respeitem seu momento transitório. A tendência na depressão é o isolamento progressivo, e o combate a esse contexto é uma parte muito importante para a recuperação.

2- Exercite seu otimismo: Nosso cérebro pode sim ser treinado para buscar o lado bom das coisas. Para alguns isso é muito fácil e intuitivo, para outros isso pode ser melhor desenvolvido. Busque situações do passado (ruins, por exemplo) e exercite o poder de olhar o lado positivo.  Enumere, no presente, tudo que você tem de positivo ao seu redor. O treino no dia a dia pode fazê-lo ficar mais resistente e mais otimista mesmo em fases desfavoráveis.

3- Altere seu ritmo de vida priorizando medidas Anti-Stress: Modifique seu ritmo de vida, inicie atividade física aeróbica de intensidade leve, desenvolva atividades recreativas, reduza o nível de estresse, reorganize seus horários, reveja sua dieta e principalmente sua postura diante de alguns fatores chaves do seu dia a dia.

4- Evite comparações: Comparar a sua situação com a dos outros não resolve nada. Cada indivíduo tem sua história, seus problemas e suas facilidades. A comparação tira o foco do seu organismo e pode derrubar falsamente sua autoestima. A maioria das pessoas tende a demonstrar apenas seu lado mais positivo, uma pontinha de um iceberg por vezes repleto de problemas e sofrimento.

5- Trace metas adequadas: Um cérebro envolto em metas, objetivas e atingíveis, é mais combativo contra a depressão. Busque desenvolver a motivação e o entusiasmo perdido no início da doença. Toda meta é importante, trace objetivos pessoais de curto prazo e resolução fácil, dia a dia seu cérebro ficará mais engajado e confiante na sua capacidade.

6- Volte-se para si: Toda ‘crise’ tem um potencial benéfico ao indivíduo, a depressão não seria diferente. A introspecção pode te confrontar com um modo de vida (prévio a depressão) pautado nos outros. Nessa fase, você pode (e deve) priorizar a si, enxergar seus interesses, suas vontades, suas expectativas. Com isso você pode sair da depressão bem melhor do que era antes dela, colocando seu organismo como prioridade da sua vida, parar de viver para os outros e de aceitar condições precárias de felicidade.

7- Discuta a necessidade de medicamentos: Atualmente existe uma ampla gama de medicamentos que podem auxiliar no tratamento da depressão. Cada classe possui um perfil terapêutico próprio e um perfil de efeitos colaterais.  O remédio é mantido por tempo variável e alguns pacientes podem ficar sem medicamentos de acordo com a evolução. Muitas classes mais modernas conseguem um bom alívio dos sintomas com baixas taxas de efeitos colaterais e configuram uma arma importante quando aliada às mudanças do estilo de vida. Por isso é fundamental consultar sempre um especialista para traçar a linha terapêutica de forma personalizada e efetiva.

Fonte: Neurologista Leandro Teles CRM – 124.984 , membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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