Histórias de Motoboy: a pressa é inimiga da perfeição e, principalmente, dos motociclistas

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Amigos, parceiros, e seguidores, crio essa nova categoria de assuntos para retratar o cotidiano real (e cruel) da vida de quem utiliza a moto nas ruas e estradas de São Paulo. Trata-se da verdade nua e crua dos perigos encontrados a cada acelerada. Vamos aos causos!

Adolfo utiliza sua motocicleta como meio de transporte para ir e vir do seu emprego, e como ninguém é de ferro, para se locomover para onde deseja chegar. Na manhã de hoje, dia 23, ele seguia sua rotina normalmente: acordou, tomou banho, arrumou as coisas, sentou em sua moto e partiu para mais um dia de trabalho (e de aventuras).

Na primeira avenida trânsito, muito trânsito, como é de praxe naquele horário, cerca de 7h30. Como está em cima de duas rodas ele consegue se virar bem, desvia daqui, corta dali, faz ziguezague, e as barreiras vão se rompendo. Ao ingressar na Rodovia Dutra, a qual liga a região onde mora à cidade de São Paulo, começou o terrorismo.

Fila de carros, buzinas, gritaria e muitos, mas muitos condutores de motocicletas. O corredor é o seu espaço, e o de tantos outros indivíduos que usam o mesmo tipo de veículo que nem o seu. Num certo momento, um motoqueiro entra com tudo da esquerda para a sua faixa sem sinalizar e sai pisando fundo, querendo cortar todas as outras fotos que estão à sua frente.

Adolfo fica louco da vida, mas respira fundo e segue o fluxo. Na hora, ele pensou:

_ Se eu estivesse num dia normal iria xingar esse cara, isso se eu não corresse atrás dele para dar um sermão.

Nosso personagem ignora o maluco, que em poucos minutos simplesmente some do seu raio de visão, no mínimo por ter acelerado ainda mais. Passado cerca de um quilômetro de distância adivinhem: um acidente faz com que carros e motos parem.

Quando Adolfo passa pelo local nota que um motoqueiro foi atropelado e está caído, aos prantos, gritando de dor. Olhando com um pouco mais de cautela ele tem uma revelação: o rapaz que sofreu a queda era, simplesmente, o mesmo que havia lhe fechado e entrado na sua via a pouquíssimos minutos atrás.

Conformado, pois é uma cena que ele vê com certa frequência, Adolfo segue seu caminho e pensa:

– Mais um colega à bordo de duas rodas não percebe que está guiando uma máquina incrível, porém, perigosa.

Realidade dura, triste, mas verdadeira. Seguindo sua direção, próximo a alcançar seu destino, um carro muda de faixa sem usar a seta, isso já na Avenida Professor Luis Ignácio Anhaia Melo, região que recebe obras do tal monotrilho que nunca sai do papel. Na passagem repentina de uma faixa para a outra, um motoqueiro vinha em alta velocidade e tentou desviar do veículo.

Bambeou, quase caiu, mas, felizmente, conseguiu se manter sem sofrer um acidente. Irritado, o rapaz parou a moto, xingou o motorista do carro de todos os nomes possíveis e saiu andando. O sujeito ficou apenas se desculpando, sabendo que teve uma conduta inapropriada.

Na Rua das Juntas Provisórias fechadas, palavrões, ultrapassagens arriscadas, motoristas despreparados. E Adolfo pensa:

– Minha nossa, onde será que esses caras tiraram sua carta de motorista?

Colado ao prédio o qual trabalha, mais um acidente: um carro estava quase que totalmente destruído e o dono, intacto, falava ao celular desesperado, no mínimo conversando com algum parente sobre o ocorrido.

Fim da linha, Adolfo enfim chega ao local desejado e respira fundo, aliviado por ter vencido mais essa batalha, sabendo que a guerra continua, pois, mais tarde, é hora de voltar pra casa.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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