Fratura do Neymar é estável e pode ter tratamento rápido e eficaz

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O Caso Neymar ganhou destaque na mídia nos últimos dias. O que propicia a incapacidade, na fase aguda, é a dor. Uma vez que a dor seja eliminada e não haja risco de progressão da fratura nem de lesão de estruturas adjacentes, o atleta pode, então, retornar às suas atividades habituais.

No último jogo contra a Colômbia, realizado na sexta-feira (4), o País viu uma das principais estrelas do futebol nacional deixar a Copa do Mundo. Aos 18 minutos do segundo tempo, Neymar precisou sair de campo na maca em decorrência de uma lesão na coluna cometida pelo camisa 18 da seleção colombiana, Zúñiga.

Ao receber o impacto da joelhada do oponente nas costas, Neymar fraturou a terceira vértebra da lombar, chamada de L3. “Denominada processo transverso da terceira vértebra lombar, essa é a região mais periférica da vértebra e que, geralmente, não afeta a região na qual passam os nervos, causando o comprometimento dos mesmos. Porém, causa muita dor”, afirma o médico neurocirurgião Dr. Paulo Porto de Melo (CRM 94.048).

O especialista, que já cuidou de pacientes que têm exigências físicas e biomecânicas muito semelhantes às dos atletas de alta performance com fraturas de processo transverso e de casos até mais graves, afirma que após o tratamento o paciente pode retomar suas atividades cotidianas normalmente.

Isso porque, de acordo com Melo, a fratura do processo transverso de uma vértebra lombar é estável. Ou seja, ela não ocasiona risco de perda de movimentos ou sensibilidade, pois está distante das estruturas nervosas (nervos, medula, entre outros). “O processo transverso é o sítio de inserção de uma musculatura que tem papel minoritário e secundário na sustentação biomecânica da coluna: os músculos multifidos, músculos estabilizadores profundos da coluna”, informa o médico.

Tipos de tratamento

Uma vez eliminada a dor e o risco de progressão da fratura e de lesão de estruturas sejam adjacentes, o indivíduo é liberado para retomar suas atividades habituais. “Em sujeitos sem restrições, o uso de analgésicos potentes e derivados da morfina podem ser aplicados para suprimir a dor. Em atletas, entretanto, deve-se escolher uma medicação apropriada em virtude das questões relacionadas ao doping”, diz Melo.

Procedimentos minimamente invasivos também podem ser requisitados pelos especialistas para eliminar as dores no local. Os tratamentos podem ser feitos por meio de infiltrações com anestésicos e, principalmente, através da radiofrequência. “A radiofrequência é um procedimento ambulatorial feito através de uma agulha que não envolve cortes nem pontos. O objetivo é estimular o nervo que conduz a informação da dor em uma frequência acima da qual ele consegue transmitir”, esclarece o neurocirurgião.

Dessa forma, as áreas que conduzem estímulos nervosos e que acarretam nas dores são desabilitadas por causa das ondas da radiofrequência. “Fazendo uma analogia simples, é como se sobrecarregássemos uma central telefônica. A demanda acima de sua capacidade derrubaria a central e ela ficaria temporariamente inoperante. No nosso caso, o nervo que conduz a informação dolorosa da fratura ao cérebro faz o papel da central telefônica”.

Portanto, a fratura continuaria na mesma região e levaria o mesmo tempo para consolidar, mas, logicamente, a informação não seria transmitida ao cérebro e, dessa forma, a percepção de dor seria imensamente menor. “Isto poderia ajudar o Neymar a tentar passar com um pouco mais de conforto por toda esta situação. Esse tratamento não possui efeitos colaterais e traria a confiança ao atleta, de ter tentado tudo que está ao seu alcance. A melhora é imediata, sendo sentida nitidamente após uma semana”, avalia o médico.

Em tempo

O que precisa ficar muito bem estabelecido e claro, no entanto, é que somente os médicos que realmente tiveram contato com o atleta podem se manifestar de forma concreta sobre o assunto. Segundo Paulo, para a proposição de qualquer tratamento é necessário que se tenha pleno conhecimento do caso, acesso aos exames complementares do paciente (ressonância magnética e tomografia computadorizada) e, principalmente, que se tenha conversado e examinado o paciente.

“Estamos aqui falando em hipótese, ou seja, falando de casos em que existam apenas a fratura do processo transverso, sem acometimento de estruturas articulares (pars articularis) ou ligamentos próximos ao processo transverso em si. Seria leviano afirmar que este tratamento está indicado e resolveria o problema do Neymar sem tê-lo ouvido e examinado”, conclui Melo.

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Sobre Guilherme Derrico

Jornalista, músico e viciado em esportes. Sejam todos bem-vindos ao mundo de Derrico. Um abraço!
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